Economia

Petróleo dispara mais de 4% com nova escalada entre EUA e Irã; Brasil mantém subsídio à gasolina

BC Por Bruno Carvalho · 13 jul 2026 · 4 min de leitura

Barril chegou a subir mais de 4% nesta segunda-feira (13) após EUA e Irã voltarem a trocar ataques e Teerã fechar o Estreito de Ormuz “até novo aviso”; no Brasil, subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina segue sem data para acabar.

O preço internacional do petróleo disparou na madrugada desta segunda-feira (13), impulsionado pela retomada dos ataques militares entre Estados Unidos e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O contrato do Brent, referência internacional, chegou a ser negociado perto de US$ 79 o barril, com alta de mais de 4%, enquanto o WTI, referência americana, avançou para cerca de US$ 74, segundo dados do InfoMoney e da CNN Brasil.

A escalada aconteceu após o fim de semana. De acordo com a CNN Brasil e o InfoMoney, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou ter concluído no domingo (12) uma nova onda de ataques contra o Irã, atingindo dezenas de alvos com munições de precisão. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana disse ter atingido bases militares americanas no Kuwait e no Bahrein.

Diante da ofensiva, o governo iraniano declarou que o Estreito de Ormuz ficaria fechado “até novo aviso”. O Comando Central dos EUA negou a informação, afirmando ter iniciado operações para garantir a liberdade de navegação na região, segundo reportagem da CNN Brasil. O presidente americano, Donald Trump, disse que o cessar-fogo estabelecido em meados de junho havia “acabado”, mas afirmou disposição para negociar.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do mercado global de energia: por ali passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito comercializado no mundo. Levantamento de rastreamento marítimo citado pelo InfoMoney mostrou que apenas seis embarcações cruzaram a via no domingo, o menor volume diário em cinco semanas.

Apesar do novo salto nos preços, a reação do mercado foi descrita como relativamente contida diante do tamanho dos ataques. Segundo a CNN Brasil, o analista Bob McNally, da consultoria Rapidan Energy Group, avaliou que a alta foi “bastante moderada” e associou movimentos recentes de queda a declarações do próprio governo americano sobre a intenção de manter a via marítima aberta.

Impacto no bolso do brasileiro

A nova alta do petróleo reforça a indefinição sobre o futuro do subsídio à gasolina no Brasil. Desde maio, o governo federal mantém um desconto de R$ 0,44 por litro para a gasolina produzida no país ou importada, medida criada para amenizar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis, segundo o Metrópoles.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a sinalizar a possibilidade de encerrar o benefício neste mês, mas recuou diante da nova escalada do conflito. “Eu tinha a expectativa, sim, de tirar a subvenção da gasolina em um prazo mais curto”, afirmou o ministro, segundo o Metrópoles, acrescentando que a orientação agora é de cautela, com uma eventual retirada gradual conforme o petróleo se estabilizar.

Além da gasolina, o pacote de subsídios também abrange diesel, biodiesel, gás de cozinha e querosene de aviação. No caso do diesel, o governo já havia reduzido parte do benefício — de acordo com o InfoMoney, R$ 0,35 por litro foram retirados da subvenção, mas ainda restam R$ 1,12 de desconto mantidos pela Petrobras para conter a volatilidade do mercado internacional.

Na prática, o impasse significa que o preço da gasolina nas bombas segue represado por ora: sem o fim do subsídio, o consumidor não deve sentir no curto prazo o efeito da alta do petróleo lá fora. Por outro lado, a manutenção do benefício por mais tempo representa custo adicional para os cofres públicos, que segue sendo monitorado pela equipe econômica.

O noticiário internacional é acompanhado de perto pelo governo brasileiro, já que o país é importador de parte do petróleo e derivados que consome, o que o mantém exposto a oscilações do mercado global de energia mesmo tendo produção doméstica relevante.

Fontes consultadas: CNN Brasil, InfoMoney e Metrópoles.

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