Casal está foragido desde abril, após saber de denúncia; polícia identificou 11 possíveis vítimas e pediu prisão preventiva dos dois.
A Polícia Civil de Roraima indiciou, na quarta-feira (16), o casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24, suspeitos de estuprar ao menos seis adolescentes que frequentavam a igreja liderada por eles em Boa Vista. A informação foi confirmada pelo G1, pela CNN Brasil e pelo Metrópoles.
Segundo a Polícia Civil, o casal comandava a igreja havia cinco anos e usava a posição de liderança religiosa para se aproximar das vítimas, meninas de 12 a 17 anos. Ao todo, a investigação identificou 11 possíveis vítimas, mas seis delas prestaram depoimento formal à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA); as demais optaram por não depor.
As apurações começaram em abril deste ano, depois que a responsável por uma adolescente de 14 anos registrou boletim de ocorrência contra o casal. A partir daí, a DPCA reuniu depoimentos, documentos e outras evidências que ampliaram o número de vítimas identificadas.
Fuga e destruição de provas
De acordo com a CNN Brasil e o G1, Wenderson e Arielly estão foragidos desde 27 de abril, quando deixaram Roraima logo após tomarem conhecimento da denúncia registrada na delegacia. As investigações apontam que o casal foi para Manaus (AM), cidade onde Wenderson nasceu e tem parentes.
Ainda em fuga, os pastores teriam orientado a tesoureira da igreja, de 20 anos, e uma das vítimas a destruírem um celular a marteladas para eliminar cerca de 14 mil arquivos que poderiam servir como prova contra eles. A tesoureira foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
O inquérito aponta que uma das vítimas chegou a ser orientada a registrar um boletim de ocorrência falso, alegando perda do aparelho, para encobrir a destruição das provas.
Crimes e manipulação religiosa
Wenderson foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou exploração sexual de crianças e adolescentes, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Segundo a delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, o contexto religioso tornou a apuração mais complexa.
“Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas”, afirmou a delegada à CNN Brasil.
Ainda de acordo com a apuração da polícia, o casal convencia as adolescentes de que os atos faziam parte de um propósito espiritual e oferecia dinheiro e transferências via Pix para que as vítimas não denunciassem os abusos.
Procurada, a defesa do casal afirmou que os dois são inocentes, não possuem antecedentes criminais e nunca responderam a processos criminais anteriores. Os advogados disseram ainda buscar acesso aos autos do processo para se manifestar sobre o pedido de prisão.
O inquérito já foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de Roraima e ao Ministério Público estadual. A delegada solicitou a prisão preventiva de Wenderson e Arielly, que segue em análise pela Justiça. Até a publicação desta reportagem, o paradeiro exato do casal em Manaus não havia sido confirmado pelas autoridades.
Fontes: G1, CNN Brasil e Metrópoles.
