Ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Pará e no Maranhão; investigados são suspeitos de usar “laranjas” com documentos falsos para fraudar o Enamed, exame que seleciona candidatos à residência médica.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16/7) a segunda fase da Operação R2, que apura um esquema de fraude no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), usado para selecionar candidatos a vagas de residência médica no país. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Maranhão, mirando seis médicos suspeitos de participar do esquema.
Segundo a PF, três médicos são suspeitos de contratar “laranjas” para fazer a prova em seu lugar, mediante uso de documentos de identidade falsificados. Outros três médicos são investigados por suposta atuação no recrutamento de interessados em participar da fraude. Durante a ação, aparelhos celulares dos alvos foram apreendidos e devem passar por perícia.
A nova fase é um desdobramento da Operação R1, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2025, quando oito pessoas foram presas em flagrante durante a aplicação da prova em Juiz de Fora (MG). Segundo apurou o Metrópoles à época, o esquema investigado funcionava de duas formas: transmissão de respostas aos candidatos por meio de dispositivos eletrônicos e uso de “laranjas” que faziam a prova no lugar dos verdadeiros interessados, mediante documentos falsos. De acordo com a PF, cada candidato pagaria até R$ 140 mil em caso de aprovação.
Os investigados da fase inicial poderiam responder pelos crimes de fraude em certame de interesse público, associação criminosa e falsidade ideológica, com penas que juntas podem chegar a dez anos de reclusão, além de multa.
O Enamed foi criado pelo Ministério da Educação para avaliar a formação de estudantes de medicina e, atualmente, também serve como critério de seleção para programas de residência médica, disputados a cada ano por milhares de recém-formados em todo o país.
A Polícia Federal não detalhou, até a publicação desta reportagem, quais crimes os seis médicos investigados na segunda fase podem responder, nem se novos mandados de prisão estão previstos. A expectativa é de que o material apreendido nos celulares oriente os próximos passos da investigação, que segue em andamento.
Fontes: CNN Brasil e Metrópoles.
