Política

STF autoriza inquérito sobre repasses do Master a filme de Bolsonaro

RI Por Redação Inatos News · 24 jul 2026 · 4 min de leitura

Ministro do STF autoriza abertura de inquérito para apurar repasses de cerca de R$ 61 milhões feitos pelo banqueiro do Master à produção do filme sobre Jair Bolsonaro; senador Flávio Bolsonaro nega irregularidade.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na quinta-feira (23) a abertura de um inquérito para investigar repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, que chegou ao conhecimento público nesta sexta-feira (24), foi tomada a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo o Metrópoles e a CNN Brasil.

O inquérito, distribuído à Diretoria de Combate ao Crime Organizado e Corrupção (Dicor) da PF, apura o envio de recursos do banqueiro à produção do filme após pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo reportagens do site Intercept, retomadas pelo Metrópoles e pela CNN Brasil, Vorcaro transferiu cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para custear as gravações, dentro de uma negociação que teria chegado a R$ 134 milhões no total.

As conversas entre Flávio e Vorcaro, incluindo áudios trocados entre os dois, vieram a público em maio deste ano. Na época, Mendonça já havia se reunido com equipes da Polícia Federal para tratar do vazamento das mensagens, conforme registrou a CNN Brasil.

O que diz Flávio Bolsonaro

Após a divulgação das conversas, o senador negou ter negociado qualquer vantagem indevida com o banqueiro. Segundo ele, os recursos destinados ao filme tinham origem inteiramente privada.

“O que houve foi um filho buscando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história de seu próprio pai. Zero dinheiro público. Zero Lei Rouanet”, afirmou Flávio Bolsonaro, segundo nota reproduzida pela CNN Brasil.

Rogério Marinho, coordenador político da campanha de Flávio, também minimizou o caso e disse esperar que a apuração comprove a regularidade dos repasses, segundo blog da CNN Brasil.

“Vai ficar demonstrado que não há ilícito”, disse Marinho, de acordo com o Metrópoles.

Procurada, a produtora do filme já havia negado anteriormente, em nota à CNN Brasil, que Vorcaro tivesse patrocinado diretamente a obra, afirmando que “nenhum centavo” do banqueiro teria sido usado na produção — versão que agora é um dos pontos que o inquérito deve confrontar com os documentos bancários.

Contexto: investigação sobre o Banco Master

O caso está inserido na investigação mais ampla sobre fraudes no Banco Master, banco que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025 após apuração da Polícia Federal sobre um esquema bilionário de concessão de créditos. Vorcaro segue preso, e Mendonça é o relator do inquérito no STF desde fevereiro, quando assumiu o caso após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria — seu nome havia aparecido em mensagens encontradas no celular do banqueiro.

De acordo com o Metrópoles, o novo desdobramento reacende a preocupação de aliados de Flávio, que já vinha buscando afastar seu nome do escândalo do Banco Master às vésperas do início oficial da campanha presidencial. A convenção do PL que deve oficializar sua candidatura está marcada para os próximos dias, e o partido tenta evitar que o tema domine o noticiário da largada de campanha.

Um aliado de Flávio, sob reserva, resumiu o temor ao Metrópoles.

“É uma caixa de Pandora. Ele diz que não tem nenhuma relação para além do dinheiro do filme, mas vai saber?”, disse o interlocutor ao portal.

O inquérito não tem prazo definido para conclusão. A expectativa é que a Polícia Federal comece a intimar pessoas ligadas à produção do filme e a examinar a movimentação bancária identificada nas mensagens vazadas, o que deve manter o tema em evidência ao longo da corrida eleitoral de 2026.

Fontes consultadas: Metrópoles e CNN Brasil.

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