Economia

Prévia da inflação acumula 4,80% em 12 meses e ultrapassa teto da meta pelo segundo mês seguido

BC Por Bruno Carvalho · 28 jun 2026 · 3 min de leitura

IPCA-15 de junho registrou alta de 0,41%, puxado por alimentos e energia elétrica; resultado segue acima do limite de 4,50% tolerado pelo Banco Central

A prévia da inflação oficial do Brasil subiu 0,41% em junho, acumulando alta de 4,80% nos últimos 12 meses — valor que ultrapassa pelo segundo mês consecutivo o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,50%. Os dados são do IPCA-15, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 25 de junho de 2026.

O resultado ficou ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado, que projetava alta de 0,44% no mês e de 4,82% em 12 meses, segundo pesquisa da Reuters. No ano, o índice acumula avanço de 3,45%.

Alimentos e energia no centro das pressões

Os grupos de Alimentação e Bebidas (alta de 0,74%) e Habitação (0,72%) responderam por cerca de 66% do resultado de junho. Juntos, esses dois segmentos concentraram a maior parte da pressão sobre os preços no período.

Na alimentação consumida em casa, a variação foi de 0,87%. Batata-inglesa (29,42%), tomate (17,27%) e feijão-carioca (14,29%) lideraram as altas. No acumulado do semestre, tomate e cenoura mais que dobraram de preço — variações de 103,84% e 103,10%, respectivamente.

Na habitação, o principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,04% com a vigência da bandeira tarifária amarela. Foi o item de maior impacto individual no resultado, com contribuição de 0,08 ponto percentual.

Do lado oposto, os combustíveis recuaram 1,22%, e o grupo Transportes fechou com variação ligeiramente negativa (-0,03%). O café moído também caiu, com recuo de 3,69%.

Resultado piora em 12 meses, mas desacelera no mês

Em termos mensais, o IPCA-15 de junho desacelerou em relação a maio, quando a variação foi de 0,62%. Ainda assim, a leitura de 12 meses subiu de 4,64% para 4,80%, pressionada pelo efeito acumulado dos preços de alimentos e energia ao longo dos meses anteriores.

Entre as capitais pesquisadas, Brasília registrou a maior variação (0,93%), influenciada por passagem aérea e gasolina. Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador ficaram com as menores altas do período (0,28%).

Contexto: juros elevados, mas inflação teimosa

O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano na reunião do Copom realizada em 17 de junho — o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o próprio comitê reconheceu, em comunicado, que as expectativas de inflação estão acima da meta e que o cenário exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária.

Na pesquisa semanal Focus, divulgada pelo Banco Central em 22 de junho, analistas do mercado financeiro elevaram a projeção para o IPCA de 2026 de 5,30% para 5,33% — a 15ª revisão para cima consecutiva. A estimativa está bem acima do teto da meta (4,50%). Para a Selic, o mercado projeta encerramento do ano em 14% ao ano.

O que isso significa para o bolso

Com a inflação acumulada acima de 4,80% nos últimos 12 meses, os brasileiros sentem o efeito direto nas compras do dia a dia: batata, tomate e feijão mais caros e conta de luz mais salgada. A energia elétrica, especialmente, costuma ter impacto amplo porque encarece também a produção de outros bens e serviços.

Juros elevados encarecem o crédito — financiamentos, empréstimos pessoais e cartão de crédito ficam mais caros. O próximo passo do Copom está previsto para agosto, quando o comitê voltará a avaliar se mantém ou altera o ritmo de cortes na Selic.

Fontes consultadas: IBGE (release IPCA-15 junho/2026, divulgado em 25/06/2026); Agência Brasil (EBC); CNN Brasil; InfoMoney; Banco Central do Brasil (comunicado Copom 17/06/2026; Boletim Focus 22/06/2026).

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