Economia

Dólar sobe a R$ 5,21 e Ibovespa cai no início do 2º semestre, em meio a eleição e juros nos EUA

BC Por Bruno Carvalho · 14 jul 2026 · 4 min de leitura

Moeda americana teve a maior alta em semanas nesta terça-feira (1º/7), pressionada por pesquisa eleitoral, gastos do governo antes da eleição e dado fraco de emprego nos Estados Unidos.

O dólar comercial fechou em alta de 0,92% nesta terça-feira (1º), cotado a R$ 5,2102 na venda, segundo dados da CNN Brasil e do InfoMoney. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), recuou 0,20%, aos 171.688,61 pontos, no primeiro pregão do segundo semestre de 2026.

Foi o segundo dia seguido de valorização da moeda americana e o quinto pregão de queda do índice em pouco mais de uma semana, refletindo o que analistas classificaram como cautela dos investidores diante de um cenário mais incerto para os próximos meses.

Eleição e gastos públicos pressionam o câmbio

Segundo o InfoMoney e a CNN Brasil, um dos fatores que mexeram com o mercado foi uma nova pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg, divulgada na mesma semana, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece com 42,3% — margem de erro de 1 ponto percentual.

De acordo com o InfoMoney, o aumento dos gastos do governo às vésperas das eleições presidenciais de outubro tem pressionado as taxas de juros de longo prazo no mercado brasileiro, o que também contribui para o nervosismo dos investidores. Na prática, essa pressão fiscal encarece o custo de financiamento do país e tende a deixar o real mais vulnerável a oscilações.

Estrategistas do banco BTG Pactual, citados pela CNN Brasil, reduziram marginalmente o risco da carteira de ações recomendada para julho, apontando “um cenário mais incerto pela frente” e a falta de fatores que possam impulsionar a Bolsa no curto prazo. O banco também avalia que as ações brasileiras estão “baratas”, mas perderam espaço nas carteiras de investidores estrangeiros nos últimos meses.

Em direção oposta, o banco americano Goldman Sachs manteve recomendação de sobreposição de peso (“overweight”) para o Brasil dentro das carteiras de mercados emergentes, avaliando que os ativos brasileiros seguem baratos na comparação com os juros de longo prazo e com o padrão observado em ciclos anteriores de corte de juros no país.

Cenário externo também pesa

Fora do Brasil, o mercado repercutiu declarações do dirigente do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, que adotou um tom mais equilibrado ao dizer que as expectativas e os riscos de inflação diminuíram nas últimas semanas, segundo a CNN Brasil.

Ao mesmo tempo, um indicador privado do mercado de trabalho americano mostrou a criação de 98 mil vagas no setor privado em junho, número abaixo da expectativa de 118 mil, o que gerou dúvidas sobre o ritmo da atividade econômica nos Estados Unidos e turbinou o dólar globalmente, de acordo com o InfoMoney.

Segundo o InfoMoney, o mercado também vinha de um primeiro semestre positivo nos Estados Unidos, o que levou parte dos investidores a realizar lucros logo no início de julho — movimento que costuma pressionar bolsas ao redor do mundo, incluindo a brasileira.

O que isso significa para o bolso

A alta do dólar tende a encarecer produtos importados, viagens internacionais e insumos que dependem da moeda americana, como combustíveis e fertilizantes. Já a queda da Bolsa afeta diretamente quem tem investimentos em ações, fundos ou tem parte da poupança exposta à renda variável, seja diretamente ou por meio de fundos de pensão.

O InfoMoney e a CNN Brasil não indicam, por ora, uma tendência definida para os próximos pregões — o consenso entre os analistas ouvidos pelas duas publicações é de que o mercado deve seguir sensível a notícias sobre a disputa eleitoral de outubro, a política fiscal do governo e os próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos.

Fontes: CNN Brasil e InfoMoney.

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