Brasil

Rio deflagra operação contra lavagem de R$ 100 milhões para facções

EN Por Elisa Nogueira · 15 jul 2026 · 3 min de leitura

Operação Hawala, da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio, cumpriu mandados em quatro estados e apura suposto elo com financiador ligado à Al-Qaeda.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado (MPRJ) deflagraram nesta quarta-feira (15) a Operação Hawala, que mira um esquema suspeito de lavar mais de R$ 100 milhões em recursos ligados ao crime organizado. A Justiça expediu dez mandados de prisão e 37 de busca e apreensão, cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e em Foz do Iguaçu (PR). Segundo a CNN Brasil, nove pessoas já haviam sido presas até a última atualização da apuração.

De acordo com as investigações, divulgadas pelo Metrópoles, o esquema prestava serviços de lavagem de dinheiro ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também era usado para ocultar recursos vinculados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os valores, oriundos do tráfico de drogas, da receptação de mercadorias e da venda de produtos falsificados, teriam circulado entre 2021 e 2024 por contas de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados.

Uma das pessoas investigadas, apontada como operadora financeira do grupo, administrava empresas responsáveis pela movimentação de mais de R$ 47 milhões no período analisado, segundo a apuração policial.

Conforme o Metrópoles, o esquema recorria à criação de empresas de fachada, a transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, a depósitos fracionados em dinheiro e à utilização de pessoas interpostas (os chamados “laranjas”) para simular operações comerciais legítimas e dificultar o rastreamento da origem ilícita dos valores. A investigação é conduzida com apoio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ e do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD).

As autoridades também apuram um possível elo entre integrantes do esquema e um operador financeiro apontado pelos Estados Unidos como parte de uma estrutura de financiamento da Al-Qaeda. Segundo o Metrópoles, essa pessoa foi alvo de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Tesouro americano. A eventual conexão internacional ainda é tratada como hipótese em apuração pelas autoridades, que devem aprofundá-la a partir da análise de documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros apreendidos na operação.

Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil do Rio não havia divulgado balanço oficial completo com a identificação de todos os presos. O Portal Atos vai acompanhar os desdobramentos da Operação Hawala.

Fontes: Metrópoles e CNN Brasil.

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