Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (20), traz o IPCA estimado em 5,15% para 2026 — recuo pela terceira semana seguida; Selic, câmbio e PIB permanecem estáveis à espera da próxima reunião do Copom, em agosto.
O mercado financeiro reduziu, nesta segunda-feira (20), pela terceira semana consecutiva, sua projeção para a inflação de 2026. Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com mais de cem instituições financeiras, a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do ano caiu de 5,16% para 5,15%. Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta manhã e repercutidos por InfoMoney e CNN Brasil.
A queda é modesta na comparação semanal, mas mais expressiva no acumulado do último mês: há quatro semanas, a projeção do mercado para o IPCA estava em 5,33%. Ainda assim, a estimativa segue acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5% — o centro da meta é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Para os anos seguintes, o boletim trouxe estabilidade: a projeção do IPCA para 2027 foi mantida em 4,20%, enquanto a de 2028 ficou em 3,78%.
Selic, PIB e dólar seguem parados
Os demais indicadores do boletim não mudaram. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 permanece em 14% ao ano, estável pela quarta semana seguida. Atualmente a taxa básica de juros está em 14,25% ao ano, patamar definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de junho. O próximo encontro do colegiado está marcado para os dias 4 e 5 de agosto, quando o mercado espera um novo corte na Selic de 0,25 ponto percentual, segundo a CNN Brasil.
A projeção para o crescimento da economia também não mudou: o mercado segue estimando expansão de 1,99% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026, estável há três semanas. Para o câmbio, a expectativa permanece em R$ 5,20 por dólar ao fim do ano, mesmo valor projetado nas últimas cinco semanas, de acordo com InfoMoney e CNN Brasil.
O IGP-M, indicador usado como referência para reajuste de aluguéis, também recuou na projeção para 2026: de 5,61% para 5,55%, segundo o InfoMoney.
O que é o Boletim Focus
O Boletim Focus é divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central e reúne a mediana das projeções de bancos, gestoras e consultorias para os principais indicadores econômicos do país, como inflação, juros, câmbio e PIB. O documento é um dos principais termômetros usados por analistas — e pelo próprio Copom — para calibrar expectativas sobre o rumo da política monetária.
O que isso significa para o bolso do consumidor
Na prática, uma inflação um pouco menor tende a preservar mais o poder de compra do consumidor, já que os preços sobem em ritmo levemente mais lento do que o previsto até pouco tempo atrás. Mas, como a Selic deve seguir em patamar elevado até o fim do ano, o crédito — de financiamento imobiliário a cartão de crédito — permanece caro, enquanto aplicações atreladas aos juros continuam rendendo mais.
A confirmação dessa trajetória de alívio na inflação depende agora dos próximos indicadores, a começar pela decisão do Copom sobre a Selic, na primeira semana de agosto.
Fontes consultadas: InfoMoney e CNN Brasil.
