Petista consolida alianças estaduais e negociações para o Senado a poucos dias da convenção que deve oficializar sua candidatura à reeleição, em 2 de agosto, em São Paulo; senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário, ainda tem impasses em seis estados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à fase de convenções partidárias de 2026, iniciada nesta segunda-feira (20) e que segue até 5 de agosto, com palanques para os governos estaduais fechados em 25 estados e no Distrito Federal — falta apenas a definição em Goiás, a única unidade da federação ainda em aberto. O levantamento, apurado pelo Metrópoles, mostra o petista à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que segue com impasses em seis estados (Alagoas, Amapá, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão) e ainda não fechou o nome do vice em sua própria chapa, como noticiou o Portal Atos.
A confirmação oficial da candidatura de Lula à reeleição, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), está marcada para 2 de agosto, em São Paulo. Segundo apurou o Metrópoles, o evento nacional do PT chegou a ser planejado para 1º de agosto, em Brasília, mas a sigla optou por mudar data e local: internamente, São Paulo é tratado como “berço político” do partido, de Lula e de Alckmin, além de reunir o maior colégio eleitoral do país. A CNN Brasil confirmou a alteração e apurou que pesou na decisão o “peso eleitoral” do estado.
Depois da convenção, a campanha eleitoral de Lula tem largada oficial prevista para 16 de agosto, quando cessam as restrições do período pré-eleitoral. De acordo com a CNN Brasil, o presidente planeja abrir os trabalhos na Vila Euclides, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP) — ainda que a formalização do contrato para uso do espaço não estivesse concluída até a apuração da reportagem. O local tem forte carga simbólica na trajetória de Lula: foi ali que, em março de 1979, cerca de 170 mil metalúrgicos do ABC paulista pararam a região em uma das greves mais marcantes contra a ditadura militar, quando Lula presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. No mesmo estádio, o PT lançou naquele ano sua Carta de Princípios de fundação, reunindo cerca de 130 mil pessoas.
Enquanto avança nas alianças estaduais, Lula também negocia candidaturas ao Senado para tentar ampliar sua base de apoio na Casa e reduzir o risco de uma maioria de oposição em um eventual quarto mandato — das 81 cadeiras, 54 serão renovadas em outubro. Segundo o Metrópoles, o Ceará já tem candidatura fechada com Cid Gomes (PSB) à reeleição; no Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (PSB) e Vander Loubet (PT) mantêm parceria para concorrer juntos ao Senado; em Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) desponta como pré-candidata; e, em Goiás, Lula tenta emplacar a vereadora Aava Santiago (PSB) para uma vaga na disputa.
O teto de gastos da campanha de Lula no primeiro turno é de R$ 105 milhões, segundo a CNN Brasil, dentro de um Fundo Eleitoral que reserva R$ 615,3 milhões ao PT. Após as convenções, os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral.
A preparação para 2026 também passa pela comunicação. Uma reformulação gradual dos perfis de Lula nas redes sociais teve início em julho, com mais publicações sobre exercícios físicos — a chamada imagem de “Lula atleta” —, histórias de beneficiários de programas do governo e tom mais firme contra adversários, segundo apurou o Metrópoles. O publicitário Raul Rabelo, à frente do marketing da campanha, apresentou a estratégia em abril, durante o 8º congresso nacional do PT, em Brasília, definindo os atributos que devem guiar a comunicação: rejuvenescido, experiente, equilibrado, firme e respeitado.
“Temos um Lula rejuvenescido e conectado, um Lula que está saudável aos 80 anos de idade”, afirmou Raul Rabelo, publicitário responsável pelo marketing da campanha de reeleição, durante apresentação da estratégia ao partido.
O PT também retomou duas estratégias usadas na campanha de 2022, segundo o Metrópoles. Comitês de aproximação com igrejas e lideranças evangélicas — segmento historicamente mais alinhado à oposição — já foram mobilizados pela área de mobilização da campanha. Além disso, o partido lançou em 29 de maio, em São Paulo, o “Plano Participativo Pelo Brasil, Pelos Brasileiros”, plataforma para recolher sugestões populares ao programa de governo, que ficou aberta até 30 de junho sob coordenação do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, em parceria com a Fundação Perseu Abramo. Em 2022, uma iniciativa semelhante recebeu mais de 8,5 mil propostas.
Com as convenções seguindo até 5 de agosto — entre elas as do PL, em 25 de julho, e do PSD, de Ronaldo Caiado, em 26 de julho, ambas também em São Paulo —, a definição das principais chapas presidenciais para outubro deve se consolidar nas próximas duas semanas. Resta saber se o impasse em Goiás será resolvido a tempo de completar o mapa de alianças estaduais de Lula antes do prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto.
Fontes consultadas: Metrópoles e CNN Brasil.
