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Amazonas antecipa estoques e reforça emergência climática contra risco de seca severa.

RI Por Redação Inatos News · 27 jul 2026 · 3 min de leitura

Setor produtivo de Manaus reforça estoques diante do avanço do El Niño; governo do Amazonas já havia decretado emergência climática e ambiental válida por 180 dias.

O setor industrial do Amazonas começou a antecipar a compra de insumos e matérias-primas para se proteger de uma possível seca severa na Amazônia no segundo semestre de 2026, à medida que o El Niño se fortalece na região. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (27) pelo Metrópoles, que ouviu representantes do setor produtivo e da meteorologia sobre o risco.

A preocupação tem respaldo em dados: em 2023, a estiagem causou R$ 1,4 bilhão em custos logísticos extras ao setor industrial da Zona Franca de Manaus, segundo levantamento do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) citado pela reportagem. Para evitar perdas semelhantes, empresas do Polo Industrial de Manaus já reforçam estoques, com atenção especial aos setores mais dependentes do transporte fluvial para receber matéria-prima e escoar a produção — caso, por exemplo, dos fabricantes de aparelhos de ar-condicionado, entre os mais expostos ao problema.

Segundo o Metrópoles, o alerta é reforçado pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Cieam, que apontam o transporte por rios como o principal ponto de vulnerabilidade da cadeia de suprimentos local caso o nível dos rios caia de forma acentuada no fim do ano.

A meteorologista Andrea Ramos, ouvida pela reportagem, explicou o cenário climático por trás do alerta:

O El Niño já está estabelecido e deve se fortalecer até o fim deste ano, com 97% de probabilidade de persistir até janeiro de 2027.

Segundo as projeções citadas pelo Metrópoles, o período mais crítico da seca deve se estender do início do segundo semestre de 2026 ao início de 2027. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), ligado ao governo estadual, integra o monitoramento da situação.

Governo já havia decretado emergência

O alerta do setor produtivo confirma um movimento que o governo do Amazonas já havia antecipado. Em 1º de junho, o governador Roberto Cidade (União Brasil) assinou o Decreto nº 54.274, que instituiu estado de emergência climática e ambiental em todo o território do estado, conforme noticiado pela CNN Brasil. A medida, de caráter preventivo, tem validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada caso as condições climáticas extremas se confirmem.

De acordo com a CNN Brasil, o decreto se baseia em projeções meteorológicas que indicam redução de chuvas, temperaturas elevadas e seca extrema entre 2026 e 2027 por causa do El Niño. O texto distribui responsabilidades entre órgãos estaduais: a Defesa Civil ficou encarregada do monitoramento de rios e da gestão de desastres; a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e o Ipaam, da fiscalização contra o desmatamento; a Secretaria de Produção Rural (Sepror), da proteção à agricultura, à pesca e à aquicultura; o Corpo de Bombeiros, do reforço ao combate a incêndios florestais; a Secretaria de Segurança Pública, da integração das forças de segurança; a área da Saúde, do monitoramento de doenças e dos impactos do calor; e a Educação, de ações de conscientização nas escolas.

Os dois movimentos — a mobilização do setor privado e o decreto estadual — reforçam o mesmo diagnóstico: a Amazônia entra no segundo semestre de 2026 sob risco elevado de uma nova seca severa, num cenário que lembra o de 2023, quando rios da região atingiram níveis historicamente baixos. Governo e indústria afirmam acompanhar a evolução das chuvas nos próximos meses para dimensionar o tamanho do impacto.

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