Governo inicia retirada gradual dos subsídios aos combustíveis criados durante a guerra no Oriente Médio; Petrobras já cortou preços do diesel e do querosene de aviação nas refinarias.
O governo federal começou, nesta semana, a desmontar o pacote de subsídios aos combustíveis que havia criado em maio para conter a alta de preços provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (2) que a retirada do subsídio da gasolina, hoje de R$ 0,44 por litro, deve começar “nos próximos dias”, segundo a CNN Brasil.
A primeira etapa do desmonte já ocorreu: a subvenção de R$ 0,35 por litro concedida ao diesel deixou de valer a partir de 1º de julho. Para evitar impacto no preço pago pelas distribuidoras, a Petrobras anunciou, em 30 de junho, um corte equivalente de R$ 0,35 por litro no valor do diesel A vendido em suas refinarias, informou a CNN Brasil. Com a combinação das duas medidas, o preço final às distribuidoras ficou estável, em torno de R$ 3,30 por litro em média.
No mesmo pacote de ajustes, a Petrobras reduziu em 14,5{686b1a3b0d76b5ba44d4aba0c3bd0e38f911fd06dcc23b8ddb8fbb34cadf7248} o preço do querosene de aviação (QAV) a partir de julho — queda de R$ 0,81 por litro, levando o combustível a uma faixa entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro nas refinarias, de acordo com o InfoMoney. A estatal atribuiu o corte à “atenuação” das tensões no Oriente Médio, que haviam pressionado as cotações internacionais de derivados de petróleo. Ainda assim, no acumulado de 2026 o QAV segue 40,5{686b1a3b0d76b5ba44d4aba0c3bd0e38f911fd06dcc23b8ddb8fbb34cadf7248} mais caro do que em dezembro de 2025.
Segundo Durigan, o movimento de retirada dos subsídios acompanha o recuo do preço internacional do petróleo. O barril do tipo Brent, principal referência global, fechou a US$ 72,95 no fim de junho, patamar próximo ao registrado antes do início do conflito, que chegou a levar a cotação a cerca de US$ 120 em março, segundo o InfoMoney. O ministro disse que o governo “foi rápido” para criar os subsídios diante do risco de desabastecimento e agora está “pronto para retirar” as medidas à medida que os preços se normalizam.
Além do subsídio à gasolina, ainda resta em vigor uma segunda camada de subvenção ao diesel, de R$ 1,12 por litro, que também deve ser removida nos próximos meses, conforme o cronograma indicado pelo ministério.
E a gasolina nos postos?
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse em 1º de julho que a estatal ainda avalia se vai mexer no preço da gasolina nas refinarias. Segundo ela, a queda do petróleo abre espaço para reduções, mas a companhia precisa equilibrar competitividade e preservação de sua fatia de mercado antes de anunciar qualquer mudança — por ora, considerado prematuro falar em corte.
Na prática, o fim do subsídio à gasolina não significa automaticamente alta no preço nas bombas: o valor final ao consumidor depende também de decisão da própria Petrobras sobre o preço nas refinarias, além da tributação estadual (ICMS) e da margem de distribuidoras e revendedores.
Por que os subsídios foram criados
O governo instituiu a subvenção aos combustíveis em maio, por meio de medida provisória, como resposta emergencial à disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio, que ameaçava provocar desabastecimento e repasses bruscos de preço ao consumidor brasileiro. Com a trégua no conflito e o recuo das cotações internacionais, a equipe econômica avalia que a medida perdeu parte de sua justificativa e pesa nas contas públicas — motivo pelo qual optou por uma retirada gradual, e não abrupta, dos benefícios.
Fontes consultadas: InfoMoney e CNN Brasil.
