Economia

Oncoclínicas recebe oferta de R$ 500 milhões da gestora IG4 em meio a recuperação extrajudicial

EN Por Elisa Nogueira · 16 jul 2026 · 4 min de leitura

Rede de oncologia diz que proposta não vinculante prevê debêntures conversíveis e ainda não há acordo fechado; grupo protocolou pedido para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas na segunda-feira (13).

A Oncoclínicas, maior rede de tratamento oncológico do país, informou nesta quinta-feira (16) que recebeu uma proposta não vinculante da gestora de investimentos IG4 Capital para um aporte de R$ 500 milhões, mas afirmou que ainda não há transação acordada com a gestora ou com qualquer outro interessado. A informação foi divulgada pela companhia em comunicado ao mercado e confirmada por InfoMoney, CNN Brasil e Metrópoles.

Segundo o InfoMoney, a proposta foi apresentada à companhia em 15 de julho e prevê a subscrição de R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações, além da criação de um direito de usufruto sobre papéis da empresa em acordo com acionistas atuais. A estrutura, no entanto, ainda depende de negociação com os sócios e do cumprimento de condições que não foram detalhadas publicamente.

“Atualmente, não há acordo sobre uma possível transação com a IG4 ou qualquer outra parte interessada”, afirmou a Oncoclínicas em comunicado citado pelo InfoMoney.

O aporte, embora relevante para uma empresa sob forte pressão de caixa, representa menos de 10% do total de créditos incluídos no plano de renegociação, segundo cálculo do InfoMoney a partir dos dados informados pela companhia.

Recuperação extrajudicial

A movimentação da IG4 ocorre três dias depois de a Oncoclínicas protocolar, na madrugada de segunda-feira (13), um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a CNN Brasil, a empresa já reunia, no momento do pedido, a adesão de credores que representam cerca de 37% dos créditos afetados — percentual mínimo exigido para o protocolo da medida.

Pelas regras do processo, a companhia tem até 90 dias para ampliar esse apoio e obter a homologação judicial do plano, que passaria a valer para a totalidade dos créditos abrangidos. A Oncoclínicas afirmou, em nota reproduzida pela CNN Brasil, que a recuperação extrajudicial não atinge obrigações operacionais correntes.

“A recuperação extrajudicial não abrangerá as obrigações operacionais correntes com seus clientes, fornecedores e outros parceiros de negócios, que continuarão sendo honradas regular e tempestivamente”, informou a empresa, segundo a CNN Brasil.

De acordo com a Metrópoles, o plano em discussão pode incluir mecanismos como aporte de capital pelos próprios acionistas, conversão de parte das dívidas em participação societária e substituição de parte do passivo por novos instrumentos de dívida. A reportagem também apurou que a empresa encerrou contratos imobiliários considerados não essenciais, entre eles um contrato de locação em São Paulo com o fundo Tellus Healthcare, com multa estimada em cerca de R$ 76 milhões.

Crise se arrasta desde 2025

A crise financeira da Oncoclínicas não é nova. A companhia fechou o balanço de 2025 com prejuízo de R$ 3,67 bilhões, segundo a CNN Brasil, em meio a disputas com operadoras de saúde sobre glosas e prazos de pagamento, além de desgastes na relação com investidores. Ao longo dos últimos meses, a rede também viu se dissolverem negociações com outros potenciais parceiros para reforço de caixa.

As ações da companhia (ONCO3), negociadas na B3, chegaram a disparar mais de 25% no pregão em que o pedido de recuperação extrajudicial foi anunciado, refletindo a expectativa do mercado de que a reestruturação formal destrave uma solução para o endividamento.

A expectativa agora é que a Oncoclínicas avance nas negociações com credores e com potenciais investidores, como a IG4, dentro do prazo de 90 dias estabelecido pela recuperação extrajudicial — processo que deve seguir movimentando o mercado de saúde e o desempenho das ações da empresa na B3 nas próximas semanas.

Fontes: InfoMoney, CNN Brasil e Metrópoles.

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