Prévia da inflação oficial ficou bem abaixo do esperado pelo mercado; taxa acumulada em 12 meses caiu para 4,52%, ante 4,80% no período anterior.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, subiu 0,06% em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (28). O resultado representa forte desaceleração em relação ao 0,41% de junho e ficou muito abaixo das apostas do mercado financeiro, segundo dados divulgados por CNN Brasil e InfoMoney.
As projeções coletadas pela Reuters apontavam para uma alta de 0,19% a 0,20% no mês, enquanto a Broadcast previa 0,21%. O resultado real de 0,06% ficou aquém de ambas as estimativas, surpreendendo analistas.
Com o dado de julho, o IPCA-15 acumula alta de 3,51% no ano e de 4,52% em 12 meses — abaixo dos 4,80% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. O recuo é relevante porque, em junho, a prévia da inflação havia ultrapassado o teto da meta pelo segundo mês seguido; agora, o indicador se aproxima novamente do limite superior perseguido pelo Banco Central.
O que puxou a alta
Entre os nove grupos pesquisados, Habitação teve a maior variação e o maior impacto no índice (0,97% e 0,15 ponto percentual). Dentro do grupo, a energia elétrica residencial subiu 3,03%, o maior impacto individual do mês (0,12 p.p.), refletindo a bandeira tarifária amarela e reajustes regionais de até 19,55%.
Outros destaques de alta foram Saúde e cuidados pessoais (0,28%), com reajustes de planos de saúde de até 5,11% autorizados pela ANS, e Transportes (0,11%), puxado pela passagem aérea, que subiu 11,70%.
Alimentos seguraram o índice
Na direção oposta, Alimentação e bebidas caiu 0,66%, a menor variação entre os grupos, com impacto negativo de 0,15 ponto percentual sobre o resultado geral. Contribuíram para a queda o tomate (-19,95%), a batata-inglesa (-10,03%) e o café moído (-3,13%). Combustíveis também recuaram, com baixa de 0,90% e queda do etanol de 2,50%.
O movimento de preços em queda na mesa do consumidor é uma das explicações para o resultado do IPCA-15 ter ficado tão distante das projeções do mercado financeiro, que já vinha reduzindo suas estimativas de inflação para 2026 nas semanas anteriores.
O IPCA-15 serve de termômetro antecipado para o IPCA oficial, índice usado pelo Banco Central para calibrar a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano após sucessivos cortes promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O resultado oficial de julho será divulgado pelo IBGE nas próximas semanas e deve orientar as próximas decisões da autoridade monetária sobre os juros.
