Ministro do STF autorizou monitoramento de localização e chamadas do senador petista e de outros cinco investigados após identificar risco de vazamento na apuração sobre o colapso do banco.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (30) o sigilo de uma investigação que mira o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, dentro do inquérito que apura o esquema de fraudes financeiras ligado ao extinto Banco Master. A decisão, tomada em junho e tornada pública por Mendonça, autorizou a Polícia Federal a monitorar por dez dias antenas de celular e acessar registros de chamadas, SMS e conexões de dados do parlamentar e de outros cinco investigados, sem autorizar escuta telefônica.
Segundo apuração da CNN Brasil e do Metrópoles, o ministro justificou a urgência da medida por um “fato que agudiza os riscos de vazamento”: um pedido de audiência formulado por um dos investigados havia chegado ao gabinete do relator no mesmo dia em que a Polícia Federal protocolava, no STF, os pedidos de quebra de sigilo contra o grupo. Para Mendonça, a coincidência de datas reforçava a necessidade de reserva sobre a operação até sua execução.
Além de Wagner, foram autorizados os monitoramentos de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, à frente do Banco Master até sua liquidação, Eduardo Mendonça Sodré Martins, Guilherme Henrique Sodré Martins, David Lopes Monteiro e Andréa Lima Novaes. Pedidos semelhantes envolvendo outros quatro nomes foram negados pelo ministro.
A apuração da Polícia Federal sobre o Banco Master investiga se Jaques Wagner recebeu, direta ou indiretamente, vantagens por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao seu círculo, em troca de atuação favorável a pautas de interesse da instituição no Congresso, entre elas a chamada “emenda do Master” e um projeto que ampliava limites de crédito. A PF apura ainda a tentativa de aquisição de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, negociado com o ex-sócio do Master Augusto Lima, além de transferências que somariam R$ 3,5 milhões em nome de parentes do senador.
A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Em nota, o senador afirma não ser réu, indiciado ou acusado formalmente em nenhum processo relacionado aos fatos investigados e sustenta nunca ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.
“Ao senador Jaques Wagner deve ser assegurada a presunção de inocência, e ele exercerá o pleno direito de defesa para prestar os esclarecimentos necessários, com base em sua respeitada trajetória política como deputado federal, governador de estado e senador da República.”
Sobre o apartamento mencionado nas investigações, a defesa afirma que o imóvel jamais chegou a integrar o patrimônio do senador. Já em relação aos valores em espécie apreendidos, o gabinete de Wagner informou que se trata de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Em vídeo gravado antes da operação da PF, realizada em 18 de junho, o senador já havia classificado as acusações como “infundadas”.
O caso é um novo capítulo da crise em torno do Banco Master, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central e é investigado pela PF na Operação Compliance Zero, sob a suspeita de fraude bilionária. A instituição também é alvo de outro inquérito autorizado pelo STF, referente a repasses a produções ligadas ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PT, partido de Wagner, busca dissociar a legenda do escândalo, argumentando que eventuais interações do senador com Augusto Lima, remontando à época em que ambos atuavam no governo da Bahia, teriam caráter institucional.
Wagner já havia sido intimado anteriormente pela PF para prestar depoimento sobre o caso. A defesa do senador afirma que buscará esclarecer os fatos ao longo do processo, que segue sob relatoria de Mendonça no STF.
Fontes consultadas: CNN Brasil e Metrópoles.
