Política

Tarifaço dos EUA vira ponto de disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

AF Por Ana Ferreira · 11 jul 2026 · 4 min de leitura

Senador enviou carta ao governo americano pedindo suspensão da tarifa de 25{4b0084bac7972268f44f6be1e23bddbd26403770143a7f2d690c38e1d018111a} sobre produtos brasileiros; presidente Lula classificou a iniciativa como “traição à pátria”. Decisão dos Estados Unidos deve sair até 15 de julho.

A ameaça de tarifaço de 25{4b0084bac7972268f44f6be1e23bddbd26403770143a7f2d690c38e1d018111a} sobre produtos brasileiros, imposta pelo governo dos Estados Unidos, tornou-se nos últimos dias o centro de uma disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O embate ocorre enquanto equipes técnicas dos dois países negociam uma saída para o impasse comercial, com prazo final em 15 de julho.

Segundo o Metrópoles, Flávio Bolsonaro enviou, na quarta-feira (1º/7), uma carta ao escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo a suspensão ou o adiamento da sobretaxa. No documento, o senador argumentou que a manutenção do tarifaço representaria uma “vitória política” para o governo Lula às vésperas das eleições de outubro, configurando, em sua avaliação, risco de interferência no processo eleitoral brasileiro. A carta também critica o Pix e defende que o Brasil se desvincule de regras do Mercosul, segundo o mesmo levantamento do Metrópoles.

A resposta do presidente Lula veio por meio de publicações em redes sociais nesta quinta-feira (2/7), conforme reportado pela CNN Brasil. Lula chamou a movimentação de Flávio de “traição à pátria” e afirmou que pedir o adiamento das tarifas para depois das eleições é “atitude de traidores da Pátria”. O presidente também acusou a família Bolsonaro de tentar “submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos” e declarou: “Brasil não está à venda”.

Procurado pela reportagem através das fontes consultadas, Flávio Bolsonaro rebateu as críticas presidenciais classificando a reação de Lula como uma “falsa defesa da soberania” e reiterou que seu objetivo com a carta é evitar a aplicação da sobretaxa aos produtos brasileiros, segundo a CNN Brasil.

Negociação técnica em curso

Paralelamente à disputa pública entre os dois políticos, negociadores dos governos brasileiro e americano se reuniram em 2 de julho para tratar do tema. De acordo com o Metrópoles, o Brasil apresentou à equipe econômica dos Estados Unidos um “mapa” de compensações que incluem reforço de controles em seis áreas questionadas por Washington: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Pelo lado americano, participou da reunião Jamieson Greer, representante de comércio exterior dos EUA. Do lado brasileiro, estiveram presentes o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Presidência da República.

“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra”, afirmou o ministro Márcio Elias Rosa, segundo o Metrópoles, ao reconhecer que fatores políticos dificultam o avanço das tratativas. Auxiliares do governo brasileiro avaliam que a tarifa provavelmente será aplicada, apesar da boa recepção inicial da proposta brasileira pelos americanos.

A tarifa de 25{4b0084bac7972268f44f6be1e23bddbd26403770143a7f2d690c38e1d018111a} foi recomendada pelo USTR no âmbito de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais e discriminatórias contra empresas americanas. Entre os pontos questionados pelos EUA estão o uso do Pix, o desmatamento ilegal e regras de propriedade intelectual — o sistema de pagamentos brasileiro é considerado inegociável pelo governo brasileiro.

Próximos passos

Uma audiência pública sobre o tema está marcada para 6 de julho nos Estados Unidos, com participação prevista de Flávio Bolsonaro. Uma nova rodada de negociações técnicas entre os dois países deve ocorrer na semana seguinte, antes de um encontro de mais alto nível que antecederá a decisão final do governo americano, esperada até 15 de julho.

Fontes consultadas: Metrópoles e CNN Brasil.

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