Economia

Engie Brasil precifica hoje oferta de R$ 10,5 bi para comprar Jirau

RI Por Redação Inatos News · 14 jul 2026 · 3 min de leitura

Operação, que pode movimentar até R$ 10,5 bilhões, vai bancar a compra de 40% da hidrelétrica de Jirau (RO) e dividiu opiniões de analistas sobre o preço pago e o risco de diluição para acionistas minoritários.

A Engie Brasil Energia (EGIE3) precifica nesta terça-feira (14) uma oferta pública primária de ações que pode captar até R$ 10,5 bilhões, segundo informou o InfoMoney. O dinheiro será usado para pagar a incorporação de uma participação de 40% na Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, e para reforçar o caixa da companhia.

Pelo cronograma da oferta, o lote inicial é de 178,7 milhões de ações, podendo ser ampliado em até 147,9 milhões de papéis adicionais conforme a demanda do mercado. A operação é coordenada por Itaú BBA, Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley, e teve registro automático na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com o InfoMoney e a CNN Brasil.

Do total captado, R$ 5,744 bilhões serão destinados à integralização da fatia em Jirau — valor definido após laudo de avaliação que estimou o ativo entre R$ 5,39 bilhões e R$ 5,93 bilhões, com ponto central de R$ 5,66 bilhões, atualizado pelo CDI até junho, segundo a CNN Brasil. O restante dos recursos deve fortalecer a estrutura de capital da elétrica.

A operação foi aprovada pelo conselho de administração da Engie e referendada pelos acionistas em assembleia geral extraordinária no dia 2 de julho. Os atuais sócios da companhia tiveram direito de prioridade para subscrever ações antes da oferta ao mercado, o que preserva, em parte, a participação proporcional de quem já investia na empresa.

Mercado reagiu com cautela

O anúncio inicial da operação, no fim de junho, chegou a impulsionar as ações da Engie, que subiram 2,35% no dia da divulgação, segundo o InfoMoney. O humor mudou, porém, quando o preço final da aquisição de Jirau foi detalhado: os papéis caíram 6,14% em 2 de julho, dia da assembleia de acionistas, e recuaram mais 0,68% na sessão seguinte.

Para a Genial Investimentos, “o preço foi o grande ponto de atenção” da operação, que não apresentaria, segundo a casa, “assimetria suficientemente favorável para justificar novo aporte dos minoritários” — já que parte dos acionistas também precisará colocar dinheiro novo na oferta. O Banco Safra, por sua vez, avalia que a operação “tem potencial para aumentar a volatilidade das ações da companhia no curto prazo” e projeta uma taxa interna de retorno (TIR) de 9,3% para o negócio.

Já o Bradesco BBI classificou o negócio como “neutro a levemente positivo”, por aproximar o retorno de Jirau ao custo de capital da Engie, enquanto o BTG Pactual, também neutro, estima que a operação deve reduzir a alavancagem da companhia em até 1,2 vez — mas manteve o preço-alvo em R$ 33 por ação, sinalizando espaço limitado de valorização. O Goldman Sachs adotou a visão mais crítica: recomenda venda dos papéis, argumenta que a companhia negocia com valuation elevado e calcula uma TIR real de cerca de 8,5%, abaixo da média de 11,5% de empresas do setor — cenário que, segundo o banco, deve limitar novos aumentos de dividendos.

A precificação da oferta da Engie ocorre no mesmo dia em que a Bolsa brasileira abre oficialmente a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026, com a Romi entre as primeiras companhias a divulgar balanço, conforme calendário do InfoMoney.

Fontes consultadas: InfoMoney e CNN Brasil.

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